
Após Matt Damon se aventurar no mundo das criptomoedas, seu parceiro de longa data, Ben Affleck, decidiu apostar as fichas na inteligência artificial. O ator e diretor, que vem defendendo o uso da tecnologia em Hollywood há mais de um ano, lançou recentemente na Netflix o longa-metragem "Animals". A produção era aguardada como uma vitrine para o que Affleck chama de "IA ética", mas o resultado final não parece ter convencido os espectadores.
Dirigido e estrelado por Affleck, o filme acompanha Mark Kimball, um candidato à prefeitura que enfrenta uma crise pessoal e política quando seu filho é sequestrado. Ao lado da esposa, interpretada por Kerry Washington, ele precisa arrecadar o resgate sem destruir suas chances na eleição. Apesar do histórico de sucesso de Affleck na direção, como em "Argo" e "Medo da Verdade", o novo thriller tem sido alvo de críticas pesadas por seus diálogos travados e personagens superficiais.
IA sob os holofotes e críticas visuais
O uso da IA em "Animals" ainda é cercado de mistério, já que Affleck não detalhou exatamente quais processos foram automatizados. No entanto, o público notou composições de cena anormais e enquadramentos estranhos, que rapidamente viraram piada nas redes sociais. Atualmente, o filme amarga notas baixas tanto da crítica especializada quanto da audiência em agregadores como o Rotten Tomatoes.
Affleck defende que a tecnologia deve ser usada de forma responsável, sem violar direitos autorais ou substituir o trabalho humano. Segundo o ator, o objetivo é permitir que os profissionais da indústria se beneficiem da tecnologia em vez de serem deslocados por ela. Ele afirma categoricamente que não acredita em um futuro onde bastará digitar um comando para gerar um filme que as pessoas realmente queiram ver.
Por que isso importa
Para o espectador brasileiro, o caso reforça que a presença da IA em grandes produções do streaming não é mais uma promessa, mas uma realidade que já afeta a estética do que consumimos. A rejeição do público mostra que, embora a tecnologia possa reduzir custos de produção, a audiência ainda prioriza a sensibilidade humana e a coesão narrativa em detrimento de inovações técnicas puramente experimentais.
Mesmo com o entusiasmo de grandes nomes de Hollywood, o mercado parece dar um recado claro: a inteligência artificial é eficiente em se fazer notar, mas ainda falha na tarefa primordial de contar histórias que gerem engajamento genuíno e vendas de ingressos.
Fonte: Kotaku